terça-feira, 3 de julho de 2012

O aviso.

      Vestia-se com o monótono. Sua respiração era densa, porém silenciosa.Seus sapatos em contato com o chão provocavam pequenos estalos, os prefácios do fim. Não exibia suas mãos, mantia-as cruzadas em suas costas .O barulho das chaves em seu cinto sustentava a dúvida.Caminhava de um lado pro outro. Seus lábios rachados mantiam-se intactos. Não dirigia seus olhos a nenhuma delas.
      Quinze moças de pele branca e lábios rubros, todas sem lembranças para definir-lhes os rostos. O silêncio ecoava no salão, enquanto olhares sem objetivo tremiam enfileirados. Todas em pé sobre o extenso tanque. O medo entre as pernas, a força em seus pés. Todas de vermelho e cabelos curtos. As mãos coladas ao corpo que sustentavam joelhos finos.
      Uma leve acelerada nos passos ardiam os ouvidos das vítimas. O eco afundava as paredes da sala, ondulando barreiras. Sem portas ou janelas, mas iluminado.
      Passou a encará-las conforme andava. Observando os detalhes mais profundos e inauditos. Eram jovens. Muito jovens. Mas não haviam segundos em seus corações. Não haviam mais.
     -Fechem os olhos. - Ordenou sem exclamar.
     Obedeceram. E gritaram sem voz.
     Voltou a caminhar. O canto das chaves agora tinha ênfase sobre o ambiente. O sangue que escorreu no chão agora cobria os estalos de seus passos. Mantiam-se unidas, porém, à espera de um acaso. Livres da eternidade, presas no enquanto. Tornadas irmãs pelo momento.
      E de repente, nem as chaves cantavam mais. O silêncio concentrava-se em frente à décima quinta." É ela", pensou.
      A suposta abriu os olhos e deparou-se com um olhar fixo. Pegou sua mão e a beijou. Apoiou sua testa sobre ela por um instante. Ela suava frio mas decidiu apoiar seus pés naquele chão. Ouviu o riso diabólico de suas irmãs. Olhou para ele, buscando confortar sua dúvida e seu desespero. Ele acariciou sua mão mais uma vez e atirou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário