domingo, 5 de agosto de 2012

O fim.

Queridos leitores, (seja lá quantos vocês forem) (ficou brega, mas estava sem ideias)

Tentarei deixar isso o menos entediante possível, nem precisava escrever isso mas tá, vou escrever.
Então, esse blog acaba aqui.
Foi legal, agradeço a todos que leram, comentaram, enfim. Todos que participaram de alguma forma, de coração, obrigada, significa muito pra mim, de verdade.
Mas acho que está na hora de parar, não sei porquê. (?)
Então, bom, esse não é exatamente o discurso de despedida que eu esperava que fosse, (seria muito inútil considerando que não sei quantos estarão lendo isso, mas, enfim), uma despedida informal é melhor do que ir embora sem avisar, pelo menos eu acho isso.

Eu não vou deletar o blog ( nem sei como fazer isso, então), ele vai ficar aqui apenas como um registro do que foi um dia, um lugar (?) pra guardar o passado.
Obrigada mais uma vez a todos que leram.
Acho que é isso.


Beijos.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Palavras perdidas.

Poderia ter novos olhos,
novos dias de chuva
que escondiam o amanhecer.

Foi-se o riso doído,
que extendia a êxtase
de momentos que só lembraria
quando acordasse.

Queria aliviar notícias ruins.
Abraçar contra as tempestades.
E esse tempo que passou,
já não lembro, mas sinto falta.

Uma voz desconhecida
que tocava minha mão.
Por favor, não volte.
Já foi-se o sempre.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Foi.

Foi entre vírgulas,
interrogo as reticências.
Entre aspas estava este nome
de parênteses vazios.

Vistas exclamações,
com pesar ponho um ponto.
Nunca esteve entre aspas.
Foi uma promessa.
- Palavras nos torturam.

Despertar

Houve tempos.
Outros virão.
Jamais espere-os.
Eternos efêmeros.

Fugitivos

         Numa madrugada qualquer, caminhava no sereno da noite. Não havia ninguém, apenas eu e o frio que me beijava. Algumas luzes dividiam a rua, cegando seu horizonte. Podia sentir o oxigênio em meu peito, a única vez que tive certeza de algo: Era humana, pois respirava.
        Desejei que a caminhada fosse eterna, que a noite nunca acabasse, que a rua não tivesse fim, ou que eu morresse naquele momento. Sem flores, sem música, apenas eu e a noite. Por um instante esqueci onde estava indo, não conhecia até então a sensação de prazer. Atravessei uma ponte e lembrei. Senti uma única lágrima escorrer pelo olho esquerdo, involuntariamente. Os outros músculos do meu rosto não se moviam. Quis voltar, mas corria o risco de amanhecer. Segui em frente, ainda que com o tórax retraído por causa do frio, conseguia sentir cada batimento cardíaco. Doía um pouco, sentia mais frio a cada segundo. Mas não importava muito.
          Diminuí o ritmo de meus passos no momento que pisei na margem entre a rua e a praça. Gosto de observar detalhes desses lugares, ajudam na ambientação de minhas aventuras, quando durmo. Porém, ainda que caminhasse devagar, a praça não era muito extensa. Teria atravessado antes do fim da noite, mas tinha que me conformar, o que é de costume.
          Passei perto de um lago que mais parecia uma poça com pedras e plantas. Parecia sem vida. Não refletia o céu. Uma fina camada de gelo o cobria.
          Estava me afastando, ouvi um ruído. Não queria, mas minha curiosidade me venceu. Olhei pra trás. Não vi ninguém. O mesmo ruído novamente. Senti um pequeno calafrio na nuca, não era bem medo, talvez uma preocupação exaustiva. Medo tinha do Sol, mas isso não vem ao caso agora. Olhei pra baixo: vi um montinho de folhas. Abaixei e percebi um movimento no centro dele. Me afastei um pouco, mas estava atenta. Resolvi ultrapassar um limite: aproximei minha mão do montinho. Mordi os lábios, e levantei uma folha. Era um pato. Um patinho, para ser exata. Um filhote ainda. Tinha algumas falhas nas penas, não era um filhote que acariciava o esteriótipo de "filhotes fofos", mas tinha olhos lindos. Com cuidado, tirei-o das folhas. Ele tremeu, minhas mãos estavam geladas. Olhei ao redor, não tinham outros patos ou ninhos. Estávamos sozinhos. Apenas eu e o patinho.
           Sem pensar muito nas consequências, acomodei uma aba de meu casaco no patinho, com o intuito de aquecê-lo, tomando cuidado para não machucá-lo. Ele se debatia um pouco. A insegurança estava ali compartilhada, entre suas penas e a ponta dos meus dedos.
          Segui em frente, depois de algum tempo percebi que estava voltando para a rua, para a noite, minha noite. Me esqueci novamente pra onde deveria ir. O patinho havia parado de se debater, senti ele se acolhendo em mim. Fiz um carinho em sua cabeça. Resolvi sentar, estava cansada. Observei a rua. Apenas eu, o patinho, e a noite. Fugindo do gelo, do lago, da praça, do destino, do Sol.