Corria descalça
com as crianças
nas cinzas dos muros.
Sabia que não
era real.
Sabia que
aquele mundo
era faz-de-conta.
Mas fingia.
Mas ainda assim,
corria entre os campos
de grama urbana.
Entre o cinza e o verde
cresciam flores amarelas.
Ele lutava para tocar sua mão
Ela corria para conquistar-lhe um sorriso.
Os outros sussuravam o futuro.
Das crianças, ela era única que ouvia.
Mas escondia.
Foi no dia em que caiu
que ele segurou sua mão.
Dormiram o mesmo sonho.
E no fim do dia,
a flor do campo.
Os segundos cresceram
e uniram-se em suas veias.
Apenas imagens de uma
tarde de joelho ralado e
mãos dadas restou.
Os rumores eram reais.
Ele lutou o que seus
anos permitiram.
Mas o horizonte
ansiava por seus olhos.
Ela não acenou,
não sorriu,
e hoje a flor
a chama
em Campos.
Existe um magnetismo aqui. "o horizonte ansiava por seus olhos." - parece que algo me atrai, fisicamente mesmo, me leva em direção às palavras. Um assombro, Bárbara.
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